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A mostrar mensagens de 2022

Biotensegridade em ação - Caso de problema de ombro

O cliente chegou, depois de três semanas sem ter aula, com a sua queixa no ombro direito muito agravada. O que era um desconforto que normalmente desaparecia com uma aula por semana e o saco de água quente de noite, passou a uma dor que a impedia de levantar o braço. Perdi a força, disse-me, nem consigo lavar os dentes sem segurar o cotovelo direito com a mão esquerda. Este cliente tem pouco mais de 80 anos, tem uma vida com alguma atividade de mobilidade geral e faz uma aula por semana comigo há cerca de 20 anos já. Não sei como, mas as palavras do Stephen Levin dizendo que enquanto operava um joelho, percebeu que quanto mais puxava os ligamentos em volta da articulação mais  o espaço desta aumentava. Este comportamento só parece paradoxal quando temos uma visão da estrutura do corpo (da matéria viva em geral) baseado em forças compressivas, dependentes da gravidade, portanto. Numa perspectiva de Biotensegridade, percebemos que ao aumentarmos a tensão em t...

A minha história com os ombros

A minha história com os ombros Comecei por ter, repetidamente, epicondilites no condilo externo do braço esquerdo (o do rádio). Percebi que se trabalhasse na direção do peitoral, em rotação interna, ficava melhor. Mas sempre voltou, a dor. Recorri a uma fisioterapeuta (Catarina) que me "destruiu" o dorsal e os tecidos abaixo e por trás da axila esquerda. Disse-me que tinha o ombro muito deprimido e o braço rodado externamente e que não havia continuidade de movimento do braço na omoplata nessa rotação externa. Percebi que estava a localizar o trabalho do braço na omoplata e que não estava a dar continuidade ao movimento do braço na omoplata e no tronco. E pensar que sempre percebi que tinha dificuldade em fazer a flexão completa do ombro. Todos os movimentos overhead, no kettlebell por exemplo, sempre foram muito difíceis, principalmente à esquerda e levaram a adaptações desagradáveis ao nível da lombar. Clavículas e peitoral Comece...

Mobility vs Stability or the meaning of words

Hoje li esta frase numa página de exercício: “Trust only movement. Life happens at the level of the events, not words. Trust movement.” A. Adler Noutros tempos, não muito idos, seria levado a crer nesta frase e a defendê-la sem reservas. Hoje, com o conhecimento que fui recebendo sobre a maravilha que nós, seres humanos, somos e de que não nos damos conta, questiono não a veracidade desta afirmação mas a sua universalidade. Aprendi que ao observarmos seres humanos que são desprovidos de capacidades básicas normalmente aceites como adquiridas, podemos dar-nos conta daquilo que falta a uns e não aos outros. A quantidade e complexidade de mecanismos e de relação entre as estruturas que compõem um organismos vivo é tal que se torna muito difícil perceber o que é basilar para o seu funcionamento capaz. O movimento, tal como é entendido, a capacidade de deslocamento e de aceleração e desaceleração dos membros no espaço, não é basilar para o nosso funcionamento. Antes disso existe uma quantid...

Plano sagital - movimento auxético

Em Pilates trabalhamos muito com ênfase no plano sagital com imensas repercussões em todos os outros planos de movimento. Claro, o movimento do corpo é sempre auxético! Mexes um plano, mexes em todos!!!

Os músculos não são "movers"!

OK. Então como explico, por exemplo, uma flexão do cotovelo? Dicas: O corpo é uma unidade "tensional". Esta tensão é auto-gerada desde a primeira célula A fascia permite a condução imediata e auxética da tensão iniciada em qualquer ponto do corpo. Workins vs workouts A biologia é "messy", confusa, bagunçada. Neste sistema que é o corpo (humano), existem vários níveis de escala de tamanho que nos dão perspectivas aparentemente diferentes da mesma coisa, do mesmo sistema. Reduzir a explicação do movimento da flexão do cotovelo à ação de um músculo é imensamente redutor e, portanto, errado. As articulação saudáveis, normais, não têm fricção. O que controla o movimento das mesmas? Os músculos não o podem fazer, com certeza…

meta-estados de mudança

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Preparar a tela para que o trabalho possa acontecer. Emprenhar a estrutura. Criar meta-estados que possam produzir alterações usando toque suave. A preparação da "tela", do corpo, em Pilates, é feita pelo trabalho nos aparelhos. Esta preparação é feita pelo próprio praticante em interação com os aparelhos, na medida em que conseguem percepcionar as alterações tensionais no corpo que conduzam aos tais meta-estados. Esta preparação é tão mais eficaz quanto mais afinada for a capacidade de sentir desenvolvida pelo praticante. O instrutor apenas facilita a condução do processo, ajustando posições, facilitando as sensações, mantendo a atenção do praticante desperta para o processo interno.

Skin as Origami - Uma ideia que ganha forma

Elementos de uma idea que ganha forma "Pirâmide" dos tecidos do organismo: Como num iceberg, a grande maioria está escondida à vista. A maior parte do organismo vivo é composto por colagénio, fáscia. Sò uma pequena parte é tecido muscular e só uma outra pequena parte é tecido neural. Mas continuamos a explicar o funcionamento do corpo através dos seus componentes mais escassos...  No organismos, é sempre escolhida a via de menor gasto energético, sempre a via mais eficiente. Na organização da matéria no espaço, estruturalmente, a maior eficiência consegue-se através da recorrência à forma mais do que a processos metabólicos. A organização do corpo humano, vulgo postura, é mais eficiente quando recorre à configuração espacial dos elementos da estrutura do que à actividade neuro-muscular. ...

Respiração

Respiração Como tantas outras ações no nosso Ser, acontece, quer queiramos quer não, com uma urgência supera muitas outras ações em nós. Não conseguimos sobreviver além de uns poucos minutos sem respirar Não conseguimos sobreviver além de alguns poucos dias sem beber água Não conseguimos sobreviver além de algumas semanas sem comer Não conseguimos sobreviver além de alguns meses sem desejo sexual (isto pensei eu agora…) Não conseguimos sobreviver além de…. Quais as funções que nos condicionam a sobrevivência e qual a sua hierarquia? A importância deste conhecimento leva-nos a ter uma ou outra abordagem sobre o nosso funcionamento e sobre a forma como podemos influenciar o mesmo. Mesmo nas questões emocionais e comportamentais, qual a hierarquia e urgência e inerência destas? Na respiração, sabendo que tem uma prioridade absoluta sobre todas as outras funções para a nossa sobrevivência como indivíduos,  leva-me a perceber as frases do Pilates ou da Romana  “You can not teach a ...

Biotensegridade e Feldenkrais 2

Eu, observador, condiciono o conteúdo observado. Aquilo que eu sei, aquilo em que acredito ser a verdade sobre as coisas, sobre a vida, condiciona aquilo que vou percebendo das coisas, da vida. Será que (com certeza que sim, mas vale sempre a pena começar uma reflexão com perguntas, ainda que pareçam já respondidas) eu estou a condicionar a minha observação do que vou sentindo, percepcionando, depois de receber uma Integração Funcional? Em todas as intervenções de que fui alvo, mesmo depois das ATM’s, nas observações que fui fazendo sobre o resultado das intervenções em outros, sempre houve a mesma percepção já reportada de que o lado trabalhado ficou mais leve, mais ativado, mais organizado, mais pronto para a ação. O lado oposto sempre estava mais pesado, a fazer mais pressão no chão. Nunca senti o lado trabalhado mais caído, mais largado, como seria de esperar depois de ter sido mexido…

Biotensegridade e Feldenkrais

Estou no segundo dia do primeiro segmento do segundo ano do curso, o primeiro módulo presencial... Ainda por cima com o Paul Newton! Hoje fizemos uma IF (integração funcional) onde começámos por perceber qual a qualidade da inversão de um dos pés, estando o aluno deitado de lado. Subindo o pé elevando-o pela parte distal do maléolo interno conseguimos perceber com os nosso dedos a tensão ou a disponibilidade dos tecidos junto dessa estrutura neste movimento do pé. Vamos, então ao movimento oposto, de eversão, pegando no dorso do pé e colocando os dedos na porção distal do maléolo externo. Percorremos o contorno deste maléolo fazendo pressão. Depois verificamos a qualidade da mobilidade em rotação interna da fíbula quando o pé faz inversão. Percorremos, com pressão, a face externa da coxa, desde a porção distal interna do fémur até ao grande trocanter, deixando sempre um dedo a pressionar a porção distal interna do femur. Quando me fizeram este "tratame...

The Elusive Obvious

Sobre este livro: (https://www.feldenkraisnow.org/theelusiveobvioa.html) " In a Feldenkrais lesson people are invited to be present to themselves as they explore awareness in action through “small, soft, slow” more or less familiar movement-patterns" Awareness in action - Gosto muito desta descrição! Processo de exploração de como o nosso processo de consciência se processa, conseguir quase posicionarmos-nos como uma terceira pessoa que  consegue funcionar como um observador externo do nosso próprio processo de vida. E são tantas as fontes de influência deste processo... ter consciência destas fontes, saber de onde vem o nível de consciência a que consigo aceder é incrível. The aim: Giving people opportunities for learning to trust their own experience Esta é outra das pequenas/ grandes " coisas" que me fascinam nesta abordagem, neste método e na forma de pensar do Moshe Feldenkrais. Ter a capacidade para enfiar no próprio processo, na...

Feldenkrais - Postura. Flexão

Segundo o Paul Newton, meu prof. deste módulo do curso, em Feldenkrais começa-se por explorar e trabalhar a flexão do corpo, do tronco. Curioso que esta seja também a aparente direção do Pilates, apesar de tentarmos por todos os meios alterar esta direção nos tempos modernos e/ou procurarmos justificações para ver o contrário no approach clássico. Então, o Paul diz que a flexão é fundamental para nos podermos mover, é um "padrão" (termo meu) básico. Se pensarmos nos momentos em que não nos podemos dobrar por termos algum problema nas costas e a dificuldade ou impossibilidade que representa para nos deslocarmos, para descansarmos, para nos deitarmos ou levantar... A flexão do tronco é essencial para nos vestirmos, para apanharmos qualquer coisa que esteja a um nível mais baixo do que as nossas mãos, etc. Também nos começamos a desenvolver, ontogeneticamente, pela flexão. Trabalhar a flexão não significa trabalhar os flexores por si só, significa organizar a flexão, distrib...

Feldenkrais notas

 " É um meio para se ir além das limitações auto-impostas e descobrir o nosso potencial inexplorado." Esta frase faz todo o sentido nas minhas explorações dos movimentos em ATM's. Tenho percebido que há uma grande resistência da minha parte em usar as omoplatas como parte do movimento dos braços bem como as ancas (coxo-femural) como parte do movimento das perna. No braço esquerdo, onde sinto uma limitação no seu uso (onde me custa pensar em usar esse braço e nas pernas onde privilegio o uso da flexão a partir das ancas para chegar ao chão em vez de usar esta flexão em conjunto com a flexão dos joelhos e dos tornozelos. Sempre que penso em descer em agachamento sinto uma resistência emocional porque estou à espera que os joelhos estalem e os ossos se desloquem ai e prendam, como costuma acontecer... Preciso pensar muito em usar as ancas para não sentir desconforto nos joelhos.

Somatics

 "   By working with this somatic perspective we acknowledge that our thoughts (even the most abstract ones), our emotions, and fantasies are all manifestations of the indivisible totality of our biological and neurological processes.  " The methods of somatic education are defined in terms of the following four central aspects: learning (and not therapy) awareness of the living and sensing body (and not the body-as-object seen from outside) movement (and not posture or structure) space or, alternatively, environment (and not a shallow version of self-absorption). "approaching the living body from a phenomenological or “first person” perspective, in other words from the subjective point of view of the individual “I”. It is one thing to know the names of the bones and the points of insertion of the muscles. To sense and understand movement from within is probably something quite different, for we learn to roll, jump, walk without any knowledge of the fact that we have mus...

Auto-imagem e performance

Tenho feito sessões de "Vegetative Training", fiz duas até agora, com o Olivier Goetgeluck. Recomendo, claro, vivamente. Sei que o efeito destas sessões está muito condicionado à disponibilidade de quem as recebe. Cada pessoa vai sentir, percepcionar e receber estas sessões de forma muito diferente e em diferentes momentos. Desprogramar as máscaras, as camadas que vamos construindo ao longo da nosso vida e que nos vão condicionando na nossa capacidade de performance, de desempenho em qualquer campo da nossa vida, profissional, pessoal, emocional, desportiva, etc, etc... Estas máscaras ficam registadas no nosso soma, no nosso corpo físico, emocional, mental e por aí fora, dependendo também da capacidade de cada um de perceber os vários níveis da consciência. Hoje tive a vivência física, emocional e espiritual, de algo que já sabia a nível intelectual. Sempre me descrevi a mim mesmo, sempre me percepcionei como sendo um corpo físico pouco flexí...

Restrain - Ian Mcgilchrist

Often inhibition releases and creates. Often limitation is what cause a thing come into being. Friction is an example of something that is in opposition to movement, but in it's absence movement becomes impossible. Friction is a very constrain to movement, but it's also what makes movement possible at all. In excess we can not move at all but in it's absence there is nothing to push against. Resistance can put the brakes on motion or cause motion, it can prevent or cause change. It present us with an obstacle and therefore forces us to change our point of view, it helps us shift our point of focus. And self resistance is neither necessarily good nor necessarily bad, it's just necessary! ( https://www.youtube.com/watch?v=N4AFdNxLmb4&t=2008s)