Auto-imagem e performance
Tenho feito sessões de "Vegetative Training", fiz duas até agora, com o Olivier Goetgeluck. Recomendo, claro, vivamente. Sei que o efeito destas sessões está muito condicionado à disponibilidade de quem as recebe. Cada pessoa vai sentir, percepcionar e receber estas sessões de forma muito diferente e em diferentes momentos.
Desprogramar as máscaras, as camadas que vamos construindo ao longo da nosso vida e que nos vão condicionando na nossa capacidade de performance, de desempenho em qualquer campo da nossa vida, profissional, pessoal, emocional, desportiva, etc, etc... Estas máscaras ficam registadas no nosso soma, no nosso corpo físico, emocional, mental e por aí fora, dependendo também da capacidade de cada um de perceber os vários níveis da consciência.
Hoje tive a vivência física, emocional e espiritual, de algo que já sabia a nível intelectual. Sempre me descrevi a mim mesmo, sempre me percepcionei como sendo um corpo físico pouco flexível, pouco maleável. Sempre me vi como um corpo rígido, para ser mais preciso. Ultimamente, digamos que desde há dois anos a esta parte, comecei a perceber que podia ter uma relação diferente com as superficies de contacto, a começar com a Terra. Dito de outra forma, comecei a percepcionar com posso ter uma relação diferente com a gravidade. Tenho experimentado o crescimento desta percepção através de práticas somáticas, começando com a abordagem de Pilates da Carole Amend que me introduziu às âncoras e à relação da superfície de contato do corpo com o chão, entre imensas outras relações importantes que acontecem mas que nós não prestamos atenção. Foi a sua capacidade de perceber o que se passava na sua vivência que a levou às brilhantes conclusões do seu curso, foi esta abordagem fenomenológica (pena que se tenha deixado ficado identificada com as suas descobertas como sendo algo seu, só seu...). O Feldenkrais abriu-me completamente o campo de percepção neste sentido e continua a fazê-lo. Depois a prática do dia a dia, as minhas aulas com os alunos, os meus treinos, a minha vivência diária, tudo me tem conduzido para poder vivenciar esta relação com a gravidade de forma cada vez mais intensa.
Mas voltando à auto-imagem, percebo o quanto a minha auto-imagem me tem condicionado e vai continuar a condicionar (anda que se altere) na minha performance, quer desportiva, quer no dia a dia, como ser humano. Percebo que só a vivência física, corpórea, somática, pode levar ao reconhecimento desta auto-imagem e à sua alteração. Depois de tantos anos a estudar, intelectualmente, sobre estes assuntos, só agora me sinto preparado para tocar no meu Ser conscientemente.
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