Biotensegridade em ação - Caso de problema de ombro

O cliente chegou, depois de três semanas sem ter aula, com a sua queixa no ombro direito muito agravada. O que era um desconforto que normalmente desaparecia com uma aula por semana e o saco de água quente de noite, passou a uma dor que a impedia de levantar o braço. Perdi a força, disse-me, nem consigo lavar os dentes sem segurar o cotovelo direito com a mão esquerda. Este cliente tem pouco mais de 80 anos, tem uma vida com alguma atividade de mobilidade geral e faz uma aula por semana comigo há cerca de 20 anos já.

Não sei como, mas as palavras do Stephen Levin dizendo que enquanto operava um joelho, percebeu que quanto mais puxava os ligamentos em volta da articulação mais  o espaço desta aumentava. Este comportamento só parece paradoxal quando temos uma visão da estrutura do corpo (da matéria viva em geral) baseado em forças compressivas, dependentes da gravidade, portanto. Numa perspectiva de Biotensegridade, percebemos que ao aumentarmos a tensão em torno da articulação vamos promover o afastamento das estruturas compressivas - as terminações ósseas - porque aumentamos as estruturas tensoras de que o sistema depende para manter a sua forma e integridade. As estruturas compressoras (neste nível de análise, os ossos) nunca se tocam.

Resolvi por a "teoria" em ação. Primeiro pedi à cliente que elevasse o braço na máxima amplitude possível - logo, antes da dor - para ter um parâmetro de avaliação, para mim e para ela. Depois coloquei-lhe um peso (kettlebell) de 4 kg na mão, como braço pendurado, e pedi que caminhasse pela sala mas que mantivesse o ombro ligeiramente elevado. Disse-me que não tinha qualquer sensação de dor desta forma e caminhou durante cerca de 2 minutos. Parou, pousou o peso pedi-lhe que repetisse a elevação do mesmo braço. A medo, elevou o braço bem acima da amplitude do movimento teste e parou sem ter qualquer dor! Continuei todo o resto da nossa sessão procurando promover, quer a tração do ombro, quer a sustentação do mesmo usando variadas cargas externas e diferentes posições do corpo. Ficou fantástica, sem qualquer desconforto no final e com trabalho de casa, melhor, com a confiança de que pode fazer o trabalho de reforço necessário, em casa.

O meu raciocínio foi o de recriar a tensão interna, em torno do ombro, mas usando o corpo todo, por forma possibilidade o espaçamento das superfícies que estavam a ser comprimidas e lhe provocavam dor a rede de força. Biotensegridade em ação!!!

Atualização do caso:

Para garantir um estímulo mais continuado, pedi que comprasse um kit de mãos, um ovo de silicone e uma dedeiras de silicone, para fechar e abrir a mão respetivamente. No final do primeiro dia de trabalho em casa com estes pequenos objetos reportou que se sentia muito melhor, já sem a dor constante no ombro e braço!

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