A minha história com os ombros
A minha história com os ombros
Comecei por ter, repetidamente, epicondilites no condilo externo do braço esquerdo (o do rádio). Percebi que se trabalhasse na direção do peitoral, em rotação interna, ficava melhor. Mas sempre voltou, a dor. Recorri a uma fisioterapeuta (Catarina) que me "destruiu" o dorsal e os tecidos abaixo e por trás da axila esquerda. Disse-me que tinha o ombro muito deprimido e o braço rodado externamente e que não havia continuidade de movimento do braço na omoplata nessa rotação externa. Percebi que estava a localizar o trabalho do braço na omoplata e que não estava a dar continuidade ao movimento do braço na omoplata e no tronco. E pensar que sempre percebi que tinha dificuldade em fazer a flexão completa do ombro. Todos os movimentos overhead, no kettlebell por exemplo, sempre foram muito difíceis, principalmente à esquerda e levaram a adaptações desagradáveis ao nível da lombar.
Clavículas e peitoral
Comecei por explorar os movimento do ombro no tronco que, como percebi, começam na clavícula, a única articulação de osso com osso (sei que os ossos não se tocam mas era isso que via na altura, era esse meu mapa, o mapa dos ossos e das articulações). Comecei a explorar a enorme possibilidade de planos de movimento e a diferente qualidade dos mesmos quando são iniciados na clavícula, ou com a consciência do uso da clavícula. Explorei o trabalho dos peitorais, ou dos adutores do ombro no tronco.
Omoplatas
Comecei, então, a perceber que as omoplatas estavam a entrar na equação do movimento e resolvi explora-las, dar-lhes ênfase. E aqui continuou tudo a mudar ou a acrescentar à prática e ao corpo. Explorar os movimento de subida das omoplatas já foi mais difícil, conceptualmente, porque este é um movimento proibido em pilates e em qualquer outra prática de fitness. Foi difícil, claro, mas tão libertador que acabou por entrar no rodas minhas instruções. Subir os ombros! Quando fazia flexão do ombro comecei a deixar subir as omoplatas para dar continuidade e facilidade ao movimento, em vez de deprimi-las como é aconselhado por aí.
De subir os ombros passei a empurrar os ombros usando os apoios do reformer no footwork. Entrou o conceito de distribuição e de dorsalização do Leonid Blyum e a coisa pegou fogo. Todos os exercícios em que os ombros estavam apoiados começaram a ser feitos com o apoio dos ombros propositado. Comecei a trabalhar os ombros em elevação quando era preciso fazer força com o braço. Quer dizer, ao contrário do que é dito, em vez de descer o ombro para o tronco eu comecei a subir o ombro esticando justamente os tecidos que "deveriam" ser contraídos para "ligar" e "estabilizar" as omoplatas.
Superfície das costas
Daqui fui "descendo" nas sensação de elevação dos ombros até perceber que estava, de facto, a alargar a superfície das costas, a distribuir e posteriorizar a tensão por todo o tronco. A subida dos ombros passou para o "esticar da pele das costas pelos ombros".
Spine back e Deep front line (nota: o conceito de spine back está descrito num post posterior neste blog)
Percebi, pela observação das posições do corpo e pelas sensações no meu próprio corpo que estava a definir a posição de "hollow" da ginástica e que esta define uma superfície que liga as costas ao meio das pernas pela frente. Quando esticamos a pele das costas pelos ombros, tencionamos a superfície do corpo desde os ombros até à base das costas / bacia, na direção da cabeça, e esse campo tensional continua-se (em termos sensoriais) pelo contorno do cimo da bacia de trás para a frente, pelas virilhas e pelos adutores. Percebo que quando perdemos esta ligação tensional temos imensas possibilidades de configuração corporal / postural que são, quase sempre (não posso dizer sempre mas apeteci-me...) conducentes a problemas e desconfortos corporais, de coluna, bacia, pescoço, pés, joelhos, etc...
Será que esta exploração e viagem pára aqui?....A ver vamos.
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