Mensagens

Ombros, novamente

A minha quase obsessão, a conquista da mobilidade dos ombros em pleno ou perto disso. A possibilidade de mover os braços em qualquer direção sem ter que influenciar o tronco com esses movimentos, sobretudo acima do nível da cabeça. Tudo começou, lá muito atrás, com a possibilidade de mover os ombros através das clavículas. Depois dei voltas e mais voltas, passei pela pele ou a possibilidade de mover os braços desde a pele do tronco. Mover a pele tal como os animais ruminantes sacodem a pele para espantar moscas. Este já foi um enorme passo no aumentou da disponibilidade dos ombros, de facto na disponibilidade de todo o corpo. Esta ideia de poder usar a pele veio do Leonid Blyum, claro, junto com a ideia de dorsalização ou pelo menos a forma como eu a entendi e a decidi usar na minha prática. Como disse o resultado foi incrível. Antes disto, do foco na pele ou nos tecidos mais superficiais, percebi que os ombros tinham uma mobilidade que estava a ser sub-aproveitada. Por que razão temos...

Os mapas e a experiência

Dei-me conta que sempre preferi duvidar da minha experiência em favor dos mapas que me apresentavam para explicá-la... que absurdo!!!!! Percebo tão bem este comportamento, esta realidade, na maioria de nós, hoje em dia. Qualquer que seja a circunstância que nos "aborda" na vida, sempre preferimos procurar respostas em algo "maior" que nós mesmos. A religião, os gurus, a ciência, os médicos, os mais velhos, os pais, sei lá, toda uma gama de níveis de desresponsabilizacão possível. A possibilidade aberta pelas abordagens somáticas do corpo, da vida, onde a perspectiva da primeira pessoa é tão válida quanto outras, ou mais válida mesmo, abriu-me portas e janelas que me dão uma sensação de poder ser quem e como sou, poder sentir e acreditar em mim mesmo. O meu papel de educador passou de condutor a "despertador". Quando ensino, preciso primeiro entregar a quem vem ter comigo o poder de reclamar a sua própria autoridade. Sem este auto-reconhecimento parece-me i...

Biotensegridade aplicada 2 - Joelho valgo etc…

Cliente com bom, talvez demasiado, tónus muscular, “malhada”. Apresenta joelho valgo e já inchado, joanete insipiente no mesmo lado e escoliose lombo-torácica com concavidade do lado desta mesma perna. Sempre fez reforço muscular do tronco (trabalho concêntrico anterior e posterior) para reforçar o tronco, “reforçar o core”. Minha leitura: Vou facilitar o corpo, ajudando na sua reconfiguração, se subir a caixa torácica - o tal do spine back. Todo o trabalho do tronco feito de forma excêntrica, privilegiando a abertura posterior dos espaços intercostais. Esta ação irá promover a reconstrução de um suporte superior no tronco que permite a “descompressão” da lombar para baixo, ajudando a mais facilmente sustentar o arco interno do pé - melhora o joanete - e o arco interno dos membros inferiores - melhorando o valgo do joelho. Resultado da aplicação do treino: A sensação de crescimento em altura é notória depois da aula, há uma enorme leveza geral do tronco, a perna mais afetada parece bem...

A minha história com o ombros (cont.)

Na continuação da exploração trabalho a que chamei de alongamento da superfície das costas a partir dos ombros, já tinha chegado à conclusão que me estava a aproximar do conceito de “spine back”. Percebo agora que a ação de subida dos ombros que “encontrei” no início, agora sinto-a refletida na “subida” da caixa torácica. Esta subida, quando feita posteriormente resulta na abertura das costelas umas relativamente às outras, como acontece como resultado do movimento dos intercostais na inspiração. Neste momento é onde estou, na abertura do espaço intercostal que promove a subida de toda a grelha costal (em todo o redor do corpo), promovendo a sua função de sustentação superior do corpo ou de redistribuição da tensão pela zona do tórax em vez de ficar pela zona do pescoço ou da cintura (lombar).  Esta “subida” do tórax posterior é, para mim, neste momento, o que se quer com a ação de spine back.

Biotensegridade em ação - Caso de problema de ombro

O cliente chegou, depois de três semanas sem ter aula, com a sua queixa no ombro direito muito agravada. O que era um desconforto que normalmente desaparecia com uma aula por semana e o saco de água quente de noite, passou a uma dor que a impedia de levantar o braço. Perdi a força, disse-me, nem consigo lavar os dentes sem segurar o cotovelo direito com a mão esquerda. Este cliente tem pouco mais de 80 anos, tem uma vida com alguma atividade de mobilidade geral e faz uma aula por semana comigo há cerca de 20 anos já. Não sei como, mas as palavras do Stephen Levin dizendo que enquanto operava um joelho, percebeu que quanto mais puxava os ligamentos em volta da articulação mais  o espaço desta aumentava. Este comportamento só parece paradoxal quando temos uma visão da estrutura do corpo (da matéria viva em geral) baseado em forças compressivas, dependentes da gravidade, portanto. Numa perspectiva de Biotensegridade, percebemos que ao aumentarmos a tensão em t...

A minha história com os ombros

A minha história com os ombros Comecei por ter, repetidamente, epicondilites no condilo externo do braço esquerdo (o do rádio). Percebi que se trabalhasse na direção do peitoral, em rotação interna, ficava melhor. Mas sempre voltou, a dor. Recorri a uma fisioterapeuta (Catarina) que me "destruiu" o dorsal e os tecidos abaixo e por trás da axila esquerda. Disse-me que tinha o ombro muito deprimido e o braço rodado externamente e que não havia continuidade de movimento do braço na omoplata nessa rotação externa. Percebi que estava a localizar o trabalho do braço na omoplata e que não estava a dar continuidade ao movimento do braço na omoplata e no tronco. E pensar que sempre percebi que tinha dificuldade em fazer a flexão completa do ombro. Todos os movimentos overhead, no kettlebell por exemplo, sempre foram muito difíceis, principalmente à esquerda e levaram a adaptações desagradáveis ao nível da lombar. Clavículas e peitoral Comece...

Mobility vs Stability or the meaning of words

Hoje li esta frase numa página de exercício: “Trust only movement. Life happens at the level of the events, not words. Trust movement.” A. Adler Noutros tempos, não muito idos, seria levado a crer nesta frase e a defendê-la sem reservas. Hoje, com o conhecimento que fui recebendo sobre a maravilha que nós, seres humanos, somos e de que não nos damos conta, questiono não a veracidade desta afirmação mas a sua universalidade. Aprendi que ao observarmos seres humanos que são desprovidos de capacidades básicas normalmente aceites como adquiridas, podemos dar-nos conta daquilo que falta a uns e não aos outros. A quantidade e complexidade de mecanismos e de relação entre as estruturas que compõem um organismos vivo é tal que se torna muito difícil perceber o que é basilar para o seu funcionamento capaz. O movimento, tal como é entendido, a capacidade de deslocamento e de aceleração e desaceleração dos membros no espaço, não é basilar para o nosso funcionamento. Antes disso existe uma quantid...