Oposição no movimento
Estas palavras ocorrem-me quando observo movimento, ou realizo movimento, usando as oposições correctas no mesmo.
- Facilidade do movimento
- Economia de esforço
- Graciosidade
O conceito de oposição refere-se ao acto de distribuir as partes do corpo no espaço por forma a retirar massa (conceito da física) da extremidade que queremos mover, usando as várias possibilidades articulares, facilitando, assim, o movimento nessa extremidade. Por exemplo, na posição de pé, se queremos subir um braço esticado na frente do corpo teremos mais tensão, mais esforço (faremos mais força), se mantivermos o tronco completamente rígido e imóvel. Para "facilitar" o movimento de subida do braço temos várias opções. Podemos arredondar as costas para trás, podemos afastar a cabeça na direção oposta ao movimento, podemos mover o braço oposto na direção oposta. Tudo ações que vão contra-balançar o peso do braço que queremos mover, tudo ações que visam retirar massa da extremidade que queremos mover.
Expressão deste conceito nos movimentos naturais do corpo em pé, nomeadamente no caminhar, em que há sempre oposição das cinturas, logo, movimentação de torção ao longo da coluna. Esta movimentação deve ser o melhor distribuída possível por todo o comprimento da coluna.
Noto (sinto em mim e posso observar no movimento de outros) que quando procuro apoios opostos, oposição, para mover uma parte do corpo, o movimento fica mais fácil, mais limpo, mais definido. Há como que a manutenção do alinhamento das massas corporais distribuídas equitativamente em torno do eixo central do corpo. O movimento fica menos esforçado, mais gracioso.
- Apoios ósseos
Preciso ter consciência da existência dos vários apoios ósseos disponíveis na superfície do meu corpo para apoiar o movimento do corpo. A consciência da existência destes apoios deve ser trabalhar, inicialmente, usando referências físicas para os apoios, como o chão ou uma parede, alguma superfície rígida que me informe sobre a "existência" da referência óssea no meu corpo. Mais tarde, depois de ganha a consciência através da sensação dos movimentos associados ao uso dos apoios durante os movimentos, podemos ter a capacidade de usar as mesmas referências sem haver pontos de contacto com as mesmas, em cadeia aberta.
Quando me movo numa direção com qualquer parte do tronco (considerado desde a cintura escapula até à cintura pélvica), qual é o apoio que preciso encontrar, numa extremidade oposta no corpo, para facilitar o movimento?
Quando movo os membros superiores e/ou inferiores preciso encontrar apoio no tronco. Se eu não pensar, quando elevo, por exemplo, uma perna, desço a anca do mesmo lado, apoio-me ipsilateralmente. Quando penso no movimento e apoio a anca contralateral o movimento de subida da perna fica bem mais fácil. Estou a fazer uma transferência de peso (de apoio de âncora) para um ponto no tronco afastado da extremidade que quero mover (tal como acontece no shoulder bridge, por exemplo). Sim, aqui trata-se de uma transferência de peso para longe da extremidade que quero mover.
Quais a possibilidades de apoio que tenho - onde me posso ancorar para conseguir mover a parte do corpo que pretendo na direção pretendida - e quais as consequências no movimento global do tronco? Por exemplo, estou de bruços e quero elevar um lado do tronco a partir da cabeça. Posso me apoiar no final das costelas, na crista ilíaca antero superior, no joelho ou no pé... dependendo do local (na direção oposta) onde ancoro o corpo para me mover, vou ter possibilidades diferentes de mover partes diferentes do tronco, ou vou me mover a níveis diferentes na coluna. Se me apoiar do mesmo lado que quero mover, vou entrar em high dynamics, vou promover a ativação de uma grande quantidade de músculo, vou gastar uma grande quantidade de energia.
Percebo, agora, que toda a movimentação preconizada pela Romana e continuada pela Inélia e todos os seguidores da Romana, é baseada em high dynamics, que é traduzida (que acontece) por evitar, propositadamente, as transferências de peso (a procura de âncoras) para mais longe da parte do corpo que quero mover. Penso que esta estratégia de uso do corpo - que não deixa de ser uma possibilidade válida - é a mais usada e conhecida da maioria no mundo dos fitness e da actividade física. Mas é apenas uma possibilidade...
Prática:
- Escolher um movimento de base qualquer que seja simples mas que possa evoluir para maior complexidade se desejarmos
- Realizar o movimento sem qualquer indicação de como o fazer além da sua mecânica básica
- Notar quais os apoios escolhidos para realizar o movimento: ipsilateral ou contralateral? Proximal os dista, relativamente à extremidade que estamos a mover.
- Ver quais as possibilidades de outras âncoras para realizar o movimento
- Recomeçar o movimento pensando no seu início. Onde inicío o movimento? Posso iniciá-lo em outro local ao longo de segmento que estou a mover?
- Exemplo: knees side to side da Bartenieff. Foot work no reformer. No fundo, qualquer movimento serve...
- Explorar as sensações, descobrir possibilidades
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