Movimentos grosseiros vs movimentos finos
Foi numa aula de kettlebell que percebi que partes dos corpo podem fazer o movimento por atacado, dar a forma geral e a direção ao movimento, mas outras partes do corpo são responsáveis pelo detalhe, pelas mudanças de direções subtis no movimento.
Estou a pedir um “front swing across the front”, quer dizer, segurando o KB no braço direito em clean position, virado para a direita e apoiado sobre a perna direita, com a perna esquerda em lunge atrás, lanço o Kb em frente do corpo, para a esquerda, posando a perna esquerda em abertura e flexão fazendo espelho com a direita (fico em agachamento aberto). Depois faço Kob voltar pela frente do corpo para a posição de partida à direita. Ora quando o Kb é lançado na frente do corpo, descreve uma trajetória descendente e meio horizontal para a esquerda e depois pode fazer um pequeno movimento de subida, na continuação. A primeira parte do movimento (considerando só este movimento de ida) é feita pela torção do tronco e alguma anteriorização da omoplata/ombro. Esta é a parte do movimento que chamo grosseira, que dá a forma e a direção geral do movimento. Mas depois há o movimento final que dá uma espécie de suplesse, que finaliza esta fase do movimento de forma suave. Esta corresponde à subida do peso ainda na ida, no finalzinho. Este pequeno movimento ou parte do movimento é feito pelo braço que se articula no ombro e, com alguma sensibilidade, consigo sentir que se deixar o cotovelo estender um pouco mais e depois o pulso e depois os dedos da mão (sem soltar o Kb, claro), vou conseguir uma muito maior suavidade no final do movimento.
Sei, também, que os movimentos mais finos são feitos com as mãos e não com os cotovelos ou com os ombros. Parece-me haver aqui uma relação entre a precisão dos movimentos, a sua “finura” e a localização mais distal das estruturas responsáveis. Do mesmo modo, parece-me haver uma relação direta entre os movimentos mais grosseiros e as estruturas mais proximais no corpo humano. Que implicações é que isto pode ter? Quando observo movimento, ou quando instruo movimento, posso pensar na direção ou forma global do mesmo e dar a instrução pelas partes mais proximais do corpo, tronco, coluna, ombros, coxas e braços… Quando me foco no aprefeiçoamento do movimento detenho-me mais nos segmentos mais distais, no detalhe do uso das mãos e dos pés, por exemplo. Tenho a sensação de que estes detalhes são mais importantes no final de cada “fase” do movimento, como descrevi no movimento de Kb.
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